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A Crispim – revista de crítica e criação literária oferece cursos livres sobre literatura, crítica literária e filosofia.

Para saber mais detalhes sobre carga horária e como contratar os cursos, favor escrever para contato@revistacrispim.com.br

Atualmente, estes são os cursos oferecidos, ministrados pela primeira vez durante a VI Bienal Internacional de Pernambuco (2009).

Hoje: ficção contemporânea em Pernambuco, com Cristhiano Aguiar

Nos últimos anos, temos observado uma retomada da crítica humanista no âmbito dos estudos literários. Intelectuais, escritores e críticos tão diferentes entre si quanto Terry Eagleton, Richard Rorty, Harold Bloom, Mario Vargas Llosa e Tzvetan Todorov, entre outros, têm dedicado parte de sua produção intelectual a fim de resgatar uma pertinência social possível à ficção e poesia neste início de século XXI. A partir deste contexto, o curso Hoje: ficção contemporânea em Pernambuco, procura responder à seguinte pergunta: O que a ficção contemporânea feita em nosso estado tem a dizer? Se todos os pensadores citados acima acreditam que a literatura é pertinente, porque carrega uma riqueza de conhecimento que só pode ser aprendida com ela, nosso foco de estudo será realizar uma introdução às obras de alguns escritores pernambucanos a partir das questões humanas que elas levantam. Após uma breve análise da ficção contemporânea no Brasil, de modo geral, e uma análise crítica do conceito de "literatura pernambucana" e "pernambucanidade", o curso tratará de quatro obras: Rasif, de Marcelino Freire; Sombra Severa, de Raimundo Carrero; O grau graumann, de Fernando Monteiro; Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito. Indagações sobre a violência, a memória, as novas identidades masculinas e femininas, o sertão, o mal e o papel do escritor na cultura brasileira: este parece ser o saldo de uma das mais vigorosas produções ficcionais do Brasil, hoje.


Conhecendo a poesia brasileira atual, com Fábio Andrade

A poesia brasileira vive atualmente sob o signo da diversidade. O leitor comum e mesmo o leitor especializado tem dificuldades para visualizar os autores interessantes, importantes e atuantes. Mais do que isso: sentem-se incapazes de compreender mais amplamente a produção desses autores vivos e, consequentemente, situá-los dentro de um contexto maior e mais significativo. Nosso objetivo é estimular o contato com essa poesia do presente, sugerindo inclusive as relações entre ela e os autores canônicos, sejam de continuidade ou de ruptura. Para tal, partimos das propostas da poesia concreta brasileira, procurando demonstrar que a partir dessa vanguarda a criação poética pulverizou-se numa série de caminhos particulares que minam constantemente o olhar que esquadrinha e reduz. Ao mesmo tempo, a necessidade de apreender um fenômeno em pleno desenvolvimento exige um olhar orientador . Trabalhamos então com a noção de tendência poética, como conceito capaz de promover o conhecimento inicial e operativo dessa diversidade.


O som da poesia, com Artur A. de Ataíde

Quando vemos um quadro, nele reconhecemos muito do que vemos todos os dias a cada momento: objetos, lugares, figuras humanas, gestos etc. O impacto de uma pintura sobre nós, no entanto, também deve muito a alguns detalhes mais sutis, como o jogo das cores, da luz e da sombra, as texturas, as linhas e a composição. Assim como o pintor enriquece o que já vimos por meio de técnicas que aprazem aos olhos, o poeta enriquece o que nos é dado dizer por meio de técnicas que aprazem aos ouvidos: as palavras certas na ordem certa suscitam ritmos, cadências, e a combinação de vogais e consoantes podem nos impor andamentos diferenciados, além de nos legar harmonias as mais imprevistas, segundo nos demonstram exemplos incontáveis da tradição. O nosso curso busca aproximar de todo esse arsenal de técnicas todos os interessados em entender um pouco mais a poesia (leitores, escritores, estudantes, professores ou apenas curiosos), mostrando que "verso", "métrica", "prosódia" ou "ritmo" não são coisas abstratas, e que sua raiz está num conhecimento prático ao alcance de todos, e ao qual recorremos diariamente ao falar: a articulação natural dos sons da língua. Com um pouco de atenção, algumas reflexões, algumas dicas e mesmo alguns exercícios — além de algumas boas leituras, escolhidas dentre poemas de ontem e hoje —, a idéia é ensaiarmos juntos os primeiros passos para usufruir desse prazer tão antigo.


O valor literário dos primeiros contos de Machado de Assis
, com Eduardo Melo França

Ainda hoje a crítica insiste em dividir a obra de Machado de Assis em duas fases — sendo a primeira romântica e a segunda realista. Para a maioria dos estudiosos, os contos e romances que compõem o primeiro momento dessa produção, que vai até a década de 1880 e é marcada pela publicação dos Papéis Avulsos e das Memórias Póstumas de Brás Cubas, constituem uma espécie de corpo estranho que não estabelece qualquer relação ou semelhança com os seus trabalhos maduros, e por isso não merecem ser estudados. Esses primeiros contos não apenas são considerados tipicamente românticos, como também psicologicamente rasos, moralizadores e literariamente sem importância. Ao contrário do que normalmente é dito pela crítica, mostremos, no nosso curso, que já nos contos publicados antes de 1880, é possível localizar a maioria dos temas que a crítica considera como sendo os mais importantes ou recorrentes, que caracterizam e define a maturidade da dita “segunda fase” de Machado de Assis. Ou seja, demonstraremos que a sua obra contista, ao contrário do que se diz, não sofreu uma completa ruptura ou uma espécie de renascimento na década de oitenta com os Papéis Avulsos, mas, sim, um amadurecimento em relação aos problemas abordados e ao modo como são tratados. Com isso, poderemos afirmar que desde o início de sua carreira de contista, Machado de Assis já abordava as mesmas questões que posteriormente a crítica apontaria como fundamentais em sua obra madura.